sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ao novo terceiro ano.


     Envolta nos laços que ainda carrego, ouso deixar-lhes algumas últimas considerações. Não sei por onde anda meu sono, nesta noite de 17 de dezembro de 2010, deve estar perdido em algum canto de minha memória, que não consigo deixar que visitar... Não sei que magia maior me embalou hoje, o que sei é que o alivio de saber que terminou não sobrepõe a tristeza de entender que é o fim.
     De certo só entende o que hoje falo quem passou pelo que hoje passei, mas aqueles que ainda passarão antecipo os sentimentos. Deixo para trás uma história cravada nos tijolos de cada parede que constroem esse palácio, cujo qual humildemente chamamos de colégio, agora chegou a minha hora de partir, mas deixo aos sucessores umas páginas em branco para que continuem a história começada pelos alunos fundadores da Unidade Escolar Realengo II, a quem devemos se não tudo, boa parte do que temos.
Se valer a pena deixar alguns conselhos eu diria: curtam, brinquem, briguem, perdoem-se, saiam, enlouqueçam, percam muito a linha, estudem, vivam, amem. Se não valer eu apenas digo: sejam. Sejam quem quiserem ser, é tempo disso, tempo de ousar, tempo de querer ser, tempo de não ser nada, tempo de ser o que os outros vão falar... não se importem, não se importem com os outros, importem-se com quem você ama, isso basta.
     Quando no ano passado, eu via de longe o então terceiro ano se despedir eu disse: acho que agora a escola vai perder a graça. NÃO. Uma forma de alegria se foi, para que a outra pudesse vir, os ‘três estrelas’ nos deixavam para que nós pudéssemos ser o que um dia foram. Recebemos das mãos dos que nos deixavam a árdua missão de continuar a fazer alegria.
E fizemos, mesmo que por muitas vezes a alegria fosse só nossa, e que talvez por isso tenhamos deixados alguns tristes, peço perdão pela falta de humanidade que as vezes nos assolava, mas a gente só queria curtir... rs
     Cada ano sua luta, cada luta uma lágrima, a nossa caiu há 6 meses atrás, o colégio nos abraçou, a falta nos fez chorar, o colégio chorou conosco, não por nós talvez, mas por ela... E se é que devo deixar alguma coisa que valha a pena deixo o seguinte ensinamento: O amor se constrói a cada dia, dizendo que ama, chorando, rindo, brincando ou brigando, o amor se constrói não sendo presença em todo e qualquer momento, mas sendo presença no momento certo. Se amar diga, se tiver de pedir perdão peça, nunca é tarde, nunca é cedo, seja vida, seja presença, seja amor.
     Cuidem dos jardins, da horta, das salas, façam valer a moral que vocês tem (haha), cuidem das salas, curtam as salas com ar, cuidem deles, cuidem dos professores, dos inspetores, cuidem de cada coisinha, e vivam cada coisinha como se fosse a última vez... por que de fato, a última vez se aproxima, o ano vai voar e quando vocês perceberem: CHURRASCÃO DE FORMATURA.
Curtam o churrasco como se fosse o último, e não dispensem a UTI móvel na hora de cortar gastos, muitos de vocês irão precisar ! HAHAHA
     Enfim meus caros, eu deixo aos que virão, a certeza de que o amor que plantei há de brotar a cada dia, no jardim mais afastado que há no colégio, mas o mais bonito. Deixo o orgulho de carregar um emblema no peito e o mundo nas costas. Deixo as gargalhadas que hão de soar a cada segundo. Deixo meus passos cansados de tanto esforço. Deixo um pouco de suor pelo que passei e uma gota de lágrima pelo que vivi.
Passo hoje para aos que vierem a ser terceiro ano, um emblema que a mim foi passado a troco de minha luta e felicidade, deixo três estrelas, que só dependem de vocês para virarem constelação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A saudade antes do adeus


    Surtos de gotas brotam em meus olhos, que vontade de não me despedir. Jamais largarei o sonho que um dia se fez realidade, o Colégio Pedro II me roubou o coração. Da forma mais estúpida que pode alguma entidade assim fazer. Me deu o mundo, meia dúzia de louros verdes, me deu esperança, confiança, me deu amizade, hoje só me dá saudade.
   Nunca em minha vida tinha passado por uma coisa como essa, esse fascínio, essa loucura que chamam de colégio, esse amor ao que se veste, esse orgulho ao que se põe no peito... Nunca tinha me feito levantar a cabeça o peso de um nome, o reconhecimento de um esforço pessoal.
    Do dia mais feliz ao mais triste, não posso reclamar de nada que vivi neste colégio, a boca se nega a pronunciar qualquer que seja a palavra que vá contra ao que sente meu coração, se pudesse tentaria fazer com que todos amassem seus colégios como os alunos do Pedro II, aposto que os resultados seriam bem melhores.
    Já não posso mais olhar a fachada, hoje amarela, e não sentir o peito apertar, a saudade já me visita antes que eu diga adeus. Não, eu não posso dizer adeus. Ficarão colados nas paredes os sorrisos que dei nas tardes quentes, no banheiro eu sei que estão seguras todas as conversas secretas que tive, no pátio deixo os olhares que por vezes troquei, no portão deixo a lembrança do beijo que dei, deixo que as carteiras contem as colas que tirei, nos amigos a verdade de que muito os amei.
   Já não sei por onde começar, eu preciso guardar qualquer momento, melhor dizendo todos os momentos, são essas histórias que eu quero contar pros meus netos. Eu preciso lembrar de tudo.
    Que tolice a minha, mesmo que a memória falhe, eu sei, eu desenhei cada segundo no meu coração, e não há memória que esqueça o que o coração insiste em guardar... E por falar em coração, quantas voltas deu o meu, quanta alegria, encantamento, quanto sofrimento...
    Enfim, eu deixo aos que virão, a certeza de que o amor que plantei há de brotar a cada dia, no jardim mais afastado que há no colégio, mas o mais bonito. Deixo o orgulho de carregar um emblema no peito e o mundo nas costas. Deixo as gargalhadas que hão de soar a cada segundo. Deixo meus passos cansados de tanto esforço. Deixo um pouco de suor pelo que passei e uma gota de lágrima pelo que vivi.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Só o que eu puder suportar

     Sinto saudade do tempo em que o vento beijava meu rosto e eu não me importava. Do tempo que o tempo corria e eu não ligava. Sinto falta de pensar que não sentiria saudades do que deixava. Sinto saudades do tempo em que o tempo não me matava.
     Sinto que o tempo ultimamente insiste em me fazer cair, beijar o chão, com lágrimas rasgando minha face. Declaro que não desisto fácil, que venha o tempo do tempo mais triste, não me deixarei ser vencida. Sinto que a agonia de perder-me no tempo me deixa sem ar, não posso desistir, não agora.
     O amor me afaga e o tempo o leva, me resta a saudade que mata. Rasga os lençóis da alma, empurra-me no abismo da lembrança, cortam meu rosto como dois rios a sangrar suas águas salgadas... Sinto que o medo me corrói o peito e me faz pensar em desistir, eu já não posso.
     O vento leva o que me fez chorar, não o que me fez sorrir. Sopra a brisa leve que me lava o interior, esvazia-se o coração, enchem-se os pulmões de esperança. E lá vou eu sofrer outra vez;
     Que será que pode haver de bom na dor que simplesmente me alfineta a alma e pontinha do átrio esquerdo? As lembranças. Embora muitas coisas que o ventou levou não possam mais voltar, eu hei de sorrir a cada vão momento que lembrar de um breve sorriso que dei, a alma tem boa recordação da felicidade.
    Não pretendo pedir à brisa que sopra meu rosto, que me traga a melancolia dos dias de chuva, quero a felicidade das tardes de sol, que não voltarão jamais. Quero lembrança da pureza de minha infância, a alegria de todo reencontro, a magia de toda amizade, o sorriso de Juliana, uma brincadeira de criança, a benção do meu avô, as brincadeiras do tio Dito, quero a lembrança do meu primeiro sorriso, o afago do tio Gilberto, o entusiasmo do meu primeiro passinho, a alegria da tia Dijá...
    Que o vento forte ou a brisa leve, me tragam apenas o que eu puder suportar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Destinam-se ao céu as lágrimas que hoje choro.

     Se um dia chegastes a me falar de tristeza, desculpa-me a falta de experiência com que tratei o assunto, de fato nunca dantes tinha me assolado o miocárdio dor tão profunda quanto essa que te devoto.
     Certas vezes me pergunto se é mesmo verdade que partistes da Terra sem que antes pudesse me abraçar no adeus. Mas me surpreendo ao lembrar que você soube a cada dia se despedir de mim.
     Se um dia te pude causar uma mísera faixa de dor no coração, perdoa-me. No fundo eu só queria o bem do nosso bem e te confesso que por muitas fui egoísta e de nada adiantou.
     Se um dia te pude fazer sorrir, guarda contigo, onde estiver esse nosso sorriso. Porque eu jamais vou me esquecer como é sorrir ao teu lado.
     Se um dia te pude fazer sentir saudades, guarde-a em teu peito e espere-me onde estiver, juntas mataremos a dor de viver uma vida inteira do outro lado do mundo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amizade além da vida.

Eu não sei o que acontece conosco, sentimos uma necessidade exorbitante de estar perto de quem amamos. É pertinente ao ser humano amar, é do ser humano encontrar pessoas para caminhar lado a lado... Muito se diz sobre as alianças que por vezes criamos na vida, mas nenhuma palavra no mundo, nenhum verbo, adjetivo, nenhuma locução verbal, adverbial, nenhuma oração, nenhum texto conseguirá descrever os sentimentos mais profundos que destinamos ao outro. Diria eu, que amar por interesse é muito fácil, e enganam-se aqueles que procuram amizades para simplesmente sentirem-se bem, amizade está longe de ser isso (e se quer saber são RARAS as pessoas que podemos chamar de amigos) por que de fato, amar pra se completar, amar pra ser amado, amar por que te amam não é e nunca será amor de verdade, nem no significado mais simples de amor. Amar, criar laços, amizade é acima de tudo, amar por amar, sentir-se bem quando o outro se faz feliz, é não ser egoísta, e entregar todo o amor que tem, sem saber se voltará alguma coisa... Eu não sei o que acontece comigo, mas sinto uma necessidade exorbitante de estar perto de Marina. É pertinente a mim amá-la, é do meu ser caminhar junto por onde seus pés quiserem ir. E da aliança que criamos não posso dizer nem tentar descrever, pois o que sinto é infinitamente grande e não se entende. Porque o amor é amor por si só, não precisa de quantificação ou entendimento. Diria eu então que se há alguém a quem posso chamar de amiga, esse alguém tem nome que veio do mar, esse alguém tem alma que veio de Deus, esse alguém tem sorriso que veio dos anjos, esse alguém atende por Marina Montesano.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Que será?

Que será meu Deus, que tu queres que eu prove?
Que será meu Deus, que tu queres para mim?
Quantos erros, meu Deus, quanta falha... quanta dor, quanta lacuna.
Que será meu Deu que queres que eu aprenda com essa saudade?
Que querias Tu senhor quando a levou de mim?
Quanta vida, Senhor, quanta falta...
Quanta lembrança meu Deus, quanta lágrima...
Quanta coisa, quanto pouco tempo.
Quanta ausência, quanto sentimento...
Quanta alegria era, quanta tristeza ficou... Quanta dor.
Que será meu Deus, que será que tenho que fazer?
Que será meu Deus, que será que devo encontrar?
Quanta vontade, Deus meu, quanta vontade de abraçar...
Quanta saudade de ouvir, meu Deus, uma vez, só mais uma vez, aquele 'Eu te amo'
Que Dor meu Deus, que dor.
Que presença nessa ausência, que ausência nessa presença...
Que loucura, meu Pai...Que dor.
Ascendeu, subiu, balão de gás.
Se foi, partiu, pra nunca mais...
Que dor, meu Pai.
Que onda de medo que me passa, quanta saudade.
Branco, paz, assas a mais.
Morreu, dormiu, está em paz.
Que tristeza, que felicidade.
Que onda de calma que me bate, quanta certeza de que está Contigo.
Entendi meu Pai, perdão por duvidar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Uma segunda pra começar e terminar.



Devia ser uma segunda feira do mês de março, era o primeiro dia de aula do Colégio Pedro II – unidade Realengo, abri a parta de uma sala qualquer, sentei-me e antes de sentar-me vi que alguém sorria com tanta felicidade que me chamou atenção.
                Não que aquela pessoa estivesse realmente feliz, não acredito que estivesse mesmo, mas aquela pessoa conseguia sorrir mesmo com a maior das dores no peito. Acontece que essa pessoa tinha repetido de ano e faria o segundo ano do ensino médio mais uma vez... É de se chorar, mas ela preferiu sorrir.
                Visivelmente se afastava de nós, sorrateiramente nos cercava. Mal sabíamos do futuro. Ela sorriu de novo, perguntou a minha amiga se ela era irmã de um carinha, para ela (e talvez não só para ela) o mais bonito da turma que se formara. Ouviu a resposta. Sorriu. Abraçou. Sorriu. Gargalhou. Se afastou. Foi embora, mas voltou e ficou, em mim, em nós.
                E nos conhecemos e agora ela era Juliana e eu Victoria, e agora nos falávamos, mas – preciso confessar – não nos tornamos amigas no ato. O fato foi que o tempo nos aproximou, dou como tempo um ou dois meses no máximo e já não éramos mais Juliana e Victoria, éramos Baranga e Vic e assim fomos nos tornando próximas.
                Até que um dia brigamos, feio. E nos ofendemos e não nos falamos, e podem dizer dessa briga o que quiserem... e posso dizer dessa briga o que for, não vale a pena... Não ganhei nenhum troféu com essa briga (a mais feia que já tive com alguém), mas ganhei MUITA coisa com a reconciliação (a mais linda que já tive também).
                Lembro-me de não querer dar o braço a torcer, lembro-me de ter brigado por uma coisa boba, lembro-me de ter chorado, lembro-me de ter sentido medo de perde-la, lembro-me de ter rezado, e rezado, e rezado... Até que um dia Baranga me pediu desculpas, e lembro-me de ter chorado e de ter dito que nunca deixaria de ama-la, lembro-me ter prometido a mim mesma não brigar por coisas bobas... não me lembro de outra briga importante, lembro-me de picuinhas bobas.
                De quando em quando brigávamos, nos entendíamos. De cinco em cinco minutos ela dizia: Vic, te amo. Não lembro-me de compreender porque desses ‘eu te amo’ sem razão, lembro-me inclusive de questionar-me sobre as falas... mas quem entenderia Juliana.
                Sorrimos. Choramos. E nada que vivemos em um ano e meio foi em vão.
                Segredos. Mentiras. Verdades. Brincadeiras.
                De desconhecida à Juliana, de Juliana a Baranga, de Baranga a Migs. Era assim que Juliana me chamava, não só a mim a todos. Doce. Pura. Carinhosa. Juliana.
                Que saudade de Juliana, que saudade do que eu era quando Juliana era presença.
                Das festas que tivemos, das viagens que fizemos só lembranças boas, só sorrisos, gargalhadas, só meus olhos podem dizer que falta fazem.
                Era uma segunda feira, uma segunda feira comum, até a hora em que Juliana tirou uma foto - com a turma que um dia fora separada – e me chamou pra conversar. ‘Agora cara? Preciso comer, preciso falar com não sei quem, preciso, preciso...’ ; ‘Agora Vic, tem de ser agora, hoje, vamos.’
E fui, e Juliana começou a falar como louca, coisas das quais eu não entendia, me pedia desculpas por erros passados, perdão pelas brigas, me pedia perdão por estar com um menino que eu já estive, por ter me magoado... eu perdoei, sem entender. Juliana abaixou a cabeça, eu vi a lágrima molhar sua perna, eu a vi levantar a cabeça e dizer : Eu te amo Vic.
Fui embora, sem saber, sem entender, Juliana estaria maluca? Talvez. No outro dia não vi Juliana, senti falta, perguntei: faltara. O dia passou, fui pra casa. Cheguei, comi, tomei banho, dormi, tudo normal. Mas amanheceu a quarta feira e por volta de oito horas meu telefone tocou. ‘Juliana faleceu’. Como? Porque? Quando? Mentira. Não Juliana.
O dia mais triste da minha vida, não sabia levantar, não sabia andar, não sabia pensar, só sabia chorar e lembrar, e chorar, e lembrar. E foi triste e não me curei... Eu não mais a tenho, eu não mais a abraço, mais eu ainda posso ouvir Juliana dizer-me “Vic, eu te amo”. Por que Juliana desenhou esta frase na minha mente e no meu coração.

sábado, 28 de agosto de 2010

Criação.

A criação deste blog tem como objetivo único DESCREVER, qualquer fato, acontecimento, pensamento, sentimento, pessoa ou lugar.
Segundo os dicionários, descrever significa: Fazer a descrição de; expor ou contar minuciosamente. Traçar; seguir percorrendo: descrever um círculo, então a própria definição da palavra é a regra desse jogo que acabo de criar.
Não é algo sofisticado, é um exercício que estamos carecas de fazer, diariamente, é expor, é por pra fora, é desabafar, é se libertar, é se fazer entender, é tentar se fazer entender...
O que me levou a criar este blog foi a exorbitante necessidade de expor minhas idéias e pensamentos. Me divertir e tentar te dizer alguma coisa.
De antemão devo lhes dizer, caros amigo do outro lado da tela, sou melancólica, extremamente romântica, portanto não se irrite se o exagero em certos aspectos falarem mais alto em algumas descrições.
Vai começar a loucura, espero que se divirtam.

Victoria Paes.