Envolta nos laços que ainda carrego, ouso deixar-lhes algumas últimas considerações. Não sei por onde anda meu sono, nesta noite de 17 de dezembro de 2010, deve estar perdido em algum canto de minha memória, que não consigo deixar que visitar... Não sei que magia maior me embalou hoje, o que sei é que o alivio de saber que terminou não sobrepõe a tristeza de entender que é o fim.
De certo só entende o que hoje falo quem passou pelo que hoje passei, mas aqueles que ainda passarão antecipo os sentimentos. Deixo para trás uma história cravada nos tijolos de cada parede que constroem esse palácio, cujo qual humildemente chamamos de colégio, agora chegou a minha hora de partir, mas deixo aos sucessores umas páginas em branco para que continuem a história começada pelos alunos fundadores da Unidade Escolar Realengo II, a quem devemos se não tudo, boa parte do que temos.
Se valer a pena deixar alguns conselhos eu diria: curtam, brinquem, briguem, perdoem-se, saiam, enlouqueçam, percam muito a linha, estudem, vivam, amem. Se não valer eu apenas digo: sejam. Sejam quem quiserem ser, é tempo disso, tempo de ousar, tempo de querer ser, tempo de não ser nada, tempo de ser o que os outros vão falar... não se importem, não se importem com os outros, importem-se com quem você ama, isso basta.
Quando no ano passado, eu via de longe o então terceiro ano se despedir eu disse: acho que agora a escola vai perder a graça. NÃO. Uma forma de alegria se foi, para que a outra pudesse vir, os ‘três estrelas’ nos deixavam para que nós pudéssemos ser o que um dia foram. Recebemos das mãos dos que nos deixavam a árdua missão de continuar a fazer alegria.
E fizemos, mesmo que por muitas vezes a alegria fosse só nossa, e que talvez por isso tenhamos deixados alguns tristes, peço perdão pela falta de humanidade que as vezes nos assolava, mas a gente só queria curtir... rs
Cada ano sua luta, cada luta uma lágrima, a nossa caiu há 6 meses atrás, o colégio nos abraçou, a falta nos fez chorar, o colégio chorou conosco, não por nós talvez, mas por ela... E se é que devo deixar alguma coisa que valha a pena deixo o seguinte ensinamento: O amor se constrói a cada dia, dizendo que ama, chorando, rindo, brincando ou brigando, o amor se constrói não sendo presença em todo e qualquer momento, mas sendo presença no momento certo. Se amar diga, se tiver de pedir perdão peça, nunca é tarde, nunca é cedo, seja vida, seja presença, seja amor.
Cuidem dos jardins, da horta, das salas, façam valer a moral que vocês tem (haha), cuidem das salas, curtam as salas com ar, cuidem deles, cuidem dos professores, dos inspetores, cuidem de cada coisinha, e vivam cada coisinha como se fosse a última vez... por que de fato, a última vez se aproxima, o ano vai voar e quando vocês perceberem: CHURRASCÃO DE FORMATURA.
Curtam o churrasco como se fosse o último, e não dispensem a UTI móvel na hora de cortar gastos, muitos de vocês irão precisar ! HAHAHA
Enfim meus caros, eu deixo aos que virão, a certeza de que o amor que plantei há de brotar a cada dia, no jardim mais afastado que há no colégio, mas o mais bonito. Deixo o orgulho de carregar um emblema no peito e o mundo nas costas. Deixo as gargalhadas que hão de soar a cada segundo. Deixo meus passos cansados de tanto esforço. Deixo um pouco de suor pelo que passei e uma gota de lágrima pelo que vivi.
Passo hoje para aos que vierem a ser terceiro ano, um emblema que a mim foi passado a troco de minha luta e felicidade, deixo três estrelas, que só dependem de vocês para virarem constelação.