Sinto saudade do tempo em que o vento beijava meu rosto e eu não me importava. Do tempo que o tempo corria e eu não ligava. Sinto falta de pensar que não sentiria saudades do que deixava. Sinto saudades do tempo em que o tempo não me matava.
Sinto que o tempo ultimamente insiste em me fazer cair, beijar o chão, com lágrimas rasgando minha face. Declaro que não desisto fácil, que venha o tempo do tempo mais triste, não me deixarei ser vencida. Sinto que a agonia de perder-me no tempo me deixa sem ar, não posso desistir, não agora.
O amor me afaga e o tempo o leva, me resta a saudade que mata. Rasga os lençóis da alma, empurra-me no abismo da lembrança, cortam meu rosto como dois rios a sangrar suas águas salgadas... Sinto que o medo me corrói o peito e me faz pensar em desistir, eu já não posso.
O vento leva o que me fez chorar, não o que me fez sorrir. Sopra a brisa leve que me lava o interior, esvazia-se o coração, enchem-se os pulmões de esperança. E lá vou eu sofrer outra vez;
Que será que pode haver de bom na dor que simplesmente me alfineta a alma e pontinha do átrio esquerdo? As lembranças. Embora muitas coisas que o ventou levou não possam mais voltar, eu hei de sorrir a cada vão momento que lembrar de um breve sorriso que dei, a alma tem boa recordação da felicidade.
Não pretendo pedir à brisa que sopra meu rosto, que me traga a melancolia dos dias de chuva, quero a felicidade das tardes de sol, que não voltarão jamais. Quero lembrança da pureza de minha infância, a alegria de todo reencontro, a magia de toda amizade, o sorriso de Juliana, uma brincadeira de criança, a benção do meu avô, as brincadeiras do tio Dito, quero a lembrança do meu primeiro sorriso, o afago do tio Gilberto, o entusiasmo do meu primeiro passinho, a alegria da tia Dijá...
Que o vento forte ou a brisa leve, me tragam apenas o que eu puder suportar.
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