Surtos de gotas brotam em meus olhos, que vontade de não me despedir. Jamais largarei o sonho que um dia se fez realidade, o Colégio Pedro II me roubou o coração. Da forma mais estúpida que pode alguma entidade assim fazer. Me deu o mundo, meia dúzia de louros verdes, me deu esperança, confiança, me deu amizade, hoje só me dá saudade.
Nunca em minha vida tinha passado por uma coisa como essa, esse fascínio, essa loucura que chamam de colégio, esse amor ao que se veste, esse orgulho ao que se põe no peito... Nunca tinha me feito levantar a cabeça o peso de um nome, o reconhecimento de um esforço pessoal.
Do dia mais feliz ao mais triste, não posso reclamar de nada que vivi neste colégio, a boca se nega a pronunciar qualquer que seja a palavra que vá contra ao que sente meu coração, se pudesse tentaria fazer com que todos amassem seus colégios como os alunos do Pedro II, aposto que os resultados seriam bem melhores.
Já não posso mais olhar a fachada, hoje amarela, e não sentir o peito apertar, a saudade já me visita antes que eu diga adeus. Não, eu não posso dizer adeus. Ficarão colados nas paredes os sorrisos que dei nas tardes quentes, no banheiro eu sei que estão seguras todas as conversas secretas que tive, no pátio deixo os olhares que por vezes troquei, no portão deixo a lembrança do beijo que dei, deixo que as carteiras contem as colas que tirei, nos amigos a verdade de que muito os amei.
Já não sei por onde começar, eu preciso guardar qualquer momento, melhor dizendo todos os momentos, são essas histórias que eu quero contar pros meus netos. Eu preciso lembrar de tudo.
Que tolice a minha, mesmo que a memória falhe, eu sei, eu desenhei cada segundo no meu coração, e não há memória que esqueça o que o coração insiste em guardar... E por falar em coração, quantas voltas deu o meu, quanta alegria, encantamento, quanto sofrimento...
Enfim, eu deixo aos que virão, a certeza de que o amor que plantei há de brotar a cada dia, no jardim mais afastado que há no colégio, mas o mais bonito. Deixo o orgulho de carregar um emblema no peito e o mundo nas costas. Deixo as gargalhadas que hão de soar a cada segundo. Deixo meus passos cansados de tanto esforço. Deixo um pouco de suor pelo que passei e uma gota de lágrima pelo que vivi.
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