Por tudo que cabe no meu peito essa hora da noite... Eu clamei a Deus que te levasse pra longe, e jurei pra mim não te querer mais, nem por perto, nem por longe que fosse. Eu cheguei a me ver no espelho e dizer: você não merece isso. Então eu me fechei, por todas as palavras maduras do discurso ensaiado que você fez, eu me fechei, por todas as lágrimas que eu queria ter chorado e segurei. Eu pedi a Deus, na inocência de quem acredita no fim, para que ele me desse forças pra aceitar, e que eu não voltasse mais a duvidar do seu amor. Eu coloquei toda nossa história numa caixa e disse ao lixeiro: leve embora. E eu sofri por ter te perdido assim, e eu chorei por ter chorado tanto, eu chorava pela saudade, eu chorava pela vontade, eu chorava por estar chorando por você, e entenda eu não quis que você soubesse disso. Eu fui capaz de confessar até pro ursinho de pelúcia da minha amiga o que sinto, mas não tive coragem de começar a dizer pra você o quanto você era indispensável, eu dispensei toda crise que eu poderia causar.
Mas numa noite quente de sexta feira, a campainha tocou, era o lixeiro com a caixa de volta, ela se abriu sozinha enquanto meus olhos se fechavam e eu sentia seus dedos brincando de se enroscarem na minha nuca, eu me abri pro sonho de estar com você novamente, e deu até vontade de chorar de novo, porque eu sentia as nossas almas se abraçando, mais que a gente ali. Eu sei que Deus não ficou muito feliz com isso, afinal que pecado feio a gente comete sempre, mas eu tenho certeza que isso tudo aconteceu porque ele fechou os ouvidos quando eu pedi pra que você fosse levado de mim. Eu não resisto mais, não resisto ao que habita aqui, agora é tudo mais simples e mais complicado. Eu queria poder acordar e te ligar e te dizer dos sonhos todos que eu tive, mas eu preferi ficar quieta, quem sabe assim eu não entendo o que anda acontecendo conosco.
Você sorri e faz uma cena de ciumes quase no mesmo instante e eu entendo que todo aquele discurso ensaiado era falso, ninguém cm tanta convicção do que quer se entrega como você se entregou, eu volto a dizer: eu senti as nossas almas se abraçando naquele momento. E eu não parei um minuto no meu dia, de pensar em como você é lindo e como você me faz bem. Eu até queria te dizer que eu acho mesmo que eu já sou inteiramente sua, mesmo que você não entenda isso agora e mesmo que você me diga que as coisas não podem ser assim, ou que você não quer que seja, eu estou condicionada a me entregar a cada segundo. Então eu pergunto a Deus o que há de errado entre nós dois, se sentimos a mesma coisa, e se precisamos um do outro, e se nossas almas se encontram, e se Ele permite que tudo isso aconteça, o que há de errado entre nós? Por que nós, no meio de tantas outras pessoas, por que nós dois? Por que justamente nós dois não podemos ser de nós dois, só de nós dois? Que que a gente fez de errado?
Você me olha assim e eu acho que não há nada de errado, eu acho inclusive que poderíamos dar certo, talvez você não queira, mas se eu pudesse eu contava que eu quero, que eu sempre quis mesmo, que eu até sonho com essas coisas, que me dá vontade de passar a vida inteira do seu lado, de viver acordando e olhando pra você e ouvindo você dizer "bom dia" e eu chego a jurar que eu falaria um "bom dia" animado de volta, eu juro que eu mudaria o meu humor de manha, por você, pra você, com você. Eu juro.

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