Um dia você vai aprender que
amar é um sentimento involuntário, e digo mais: independente. É isso mesmo, é
isso que faz com que nos apaixonemos pelo outro, sem que o outro possa
consentir. Não existe essa história que o amor depende do outro. As pessoas se
perderam em uma definição de amor em que só se pode amar se o outro te ama
também. Isso é mentira, falácia, conto da carochinha, coisa que a psicanálise
inventou pra resolver os problemas de 98% dos pacientes.
Quem nunca ouviu: “amor bom é
amor correspondido”? De fato é, de fato é bom amar e ser amado, dar e receber
carinho, a reciprocidade sempre foi um quesito importantíssimo pra se levar em
conta. Mas veja bem, amar não é isso. Amar é via de mão única, amar é destinar
a alguém alguma coisa, amar é doação. Nós, pobres entendedores de sentimentos, é
que deturpamos tudo. Nós vamos fingindo que amar é receber, porque nós somos
egoístas mesmo. Mas amar, meu bem, não é isso.
Amar alguém é continuar querendo
bem, mesmo que a pessoa não te faça ou não tenha te feito bem um dia. Amar é
perdoar, ainda que não se tenha perdão cabível no momento. Amar é estender a
mão, se necessário, ainda que o destinatário desse amor não tenha feito isso
por algumas vezes. Amar não depende do outro. Amar é continuar amando quando
não se tem mais amor. Amar é continuar rezando para que o outro esteja bem, para que o outro ame também. Mesmo que não seja você, mas que ame.

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