quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um minutinho só

          Separe um minuto do seu dia pra sorrir. Faz bem, vai por mim. Já parou pra pensar, que raras vezes você vê seu próprio sorriso? Isso serve pra entender que sorrir faz com que você enfeite a vida pra alguém , enfeite a vida de alguém também! Então não perca tempo, quando alguém passar por você abra aquele sorrisão largo, amarelo, de orelha a orelha, aquele que faz com que a bochecha fique dormente. Você vai ver como é bom enfeitar a vida de alguém.
          Separe um minuto do seu dia para sonhar. Faz bem também, vai por mim. Já parou pra pensar que se sonhar não fosse bom, não haveria graça conseguir chegar ao fim da vida e dizer: "valeu a pena"? Porque sonhar faz com que a gente alimente a vontade de estar sempre na luta, sonhar enfeita a nossa própria vida. Isso serve pra entender que viver não é estar no mundo, viver é ter perspectivas de um mundo que você mesmo pode criar, ainda que só em sonho.
          Separe um minutinho do seu dia para agradecer a Deus. Faz muito bem, vai por mim. Já parou pra pensar que quando você recebe um presente diz "obrigado"? Isso serve pra entender que você deve agradecer todo dia, porque a todo dia você ganha de presente poder sorrir pra enfeitar a vida dos outros, poder sonhar pra enfeitar a sua própria! 

Amor não é isso


Um dia você vai aprender que amar é um sentimento involuntário, e digo mais: independente. É isso mesmo, é isso que faz com que nos apaixonemos pelo outro, sem que o outro possa consentir. Não existe essa história que o amor depende do outro. As pessoas se perderam em uma definição de amor em que só se pode amar se o outro te ama também. Isso é mentira, falácia, conto da carochinha, coisa que a psicanálise inventou pra resolver os problemas de 98% dos pacientes.
Quem nunca ouviu: “amor bom é amor correspondido”? De fato é, de fato é bom amar e ser amado, dar e receber carinho, a reciprocidade sempre foi um quesito importantíssimo pra se levar em conta. Mas veja bem, amar não é isso. Amar é via de mão única, amar é destinar a alguém alguma coisa, amar é doação. Nós, pobres entendedores de sentimentos, é que deturpamos tudo. Nós vamos fingindo que amar é receber, porque nós somos egoístas mesmo. Mas amar, meu bem, não é isso.
Amar alguém é continuar querendo bem, mesmo que a pessoa não te faça ou não tenha te feito bem um dia. Amar é perdoar, ainda que não se tenha perdão cabível no momento. Amar é estender a mão, se necessário, ainda que o destinatário desse amor não tenha feito isso por algumas vezes. Amar não depende do outro. Amar é continuar amando quando não se tem mais amor. Amar é continuar rezando para que o outro esteja bem, para que o outro ame também. Mesmo que não seja você, mas que ame.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um dos últimos exemplares de homem

     Tem dias em que a gente só coloca os pés na rua pra ouvir uma história, esse foi um desses raros dias. Entrei numa festa pequena, com poucas pessoas mas muitos sorrisos, era a comemoração de algo que eu não sei bem o que, mas era. Avistei um menino calmo, branco, bem branco e franzino, sentado na mureta escolhendo músicas. Todos conversavam, todos falavam sobre todos os assuntos, todos naquela festa tinham uma boa história pra contar, eu sei. Mas a dele, a dele foi arrebatadora.
     Primeiro ele soltou entre os dentes que casaria em um ano, namorava a seis, mas não tinha aliança, achei estranho, "que namoro mais patife é esse que não tem aliança". Ele disse que achava besteira, eu tentei retorcer e falei que a aliança era um sinal de compromisso, ele me olhou e disse: "você está errada, compromisso é o que eu tenho por ela, não o que eu coloco no seu dedo". Eu sabia, aquele ali amava.
     Não estava enganada, o sorriso ao contar sua história longa, de idas e vindas demonstrava um amor, que eu gostaria de assistir de perto, não para aprender nada, mas pela pura magia de apreciar um dos poucos homens dessa Terra que ainda amam e respeitam alguém. Me contou de um namoro de 6 anos, disse que o que sentiam sobreviveu a uma mudança dele para França, que durou um ano. Ele mora no Rio, se mudará para Minas no início do ano, ela em São Paulo, e eles ainda sonham com o casamento do ano que vem. Não sei ao certo porque aquilo me chocou tanto, ora, era apenas um cara de 22 anos, que amava alguém, a quem era fiel e que pretendia casar-se. Acontece que o amor tá em extinção.
     Quem nunca se perdeu na retórica de um babaca que tenta te convencer que te ama falando que você é a mulher da vida dele? Quem nunca descobriu uma traição e perdoou porque o cara de pau dizia estar arrependido? Quem nunca pensou "isso é instinto de homem"? Quem nunca? Perguntado se já havia traido ele respondeu: "sim, traí no início, mas não era namoro ainda. Aliás, não era amor, depois que eu amei não houve traição." Queria poder dizer a menina a quem se destina esse amor que ela possui um dos últimos exemplares de homem, porque os que eu vejo por aí são só moleques...