Podia sair pela rua com um guarda chuva colorido, pulando poças na grama, rindo para quem estivesse me olhando pela janela.
Podia jogar meia dúzia de roupas na mochila, dar uma banana para esse tédio, colocar um fita rosa choque no cabelo, um óculos bem grande, sorrir para o apresentador do jornal da noite e sair pelo mundo.
Eu podia também correr pela pela cidade gritando palavras de felicidade, jogando purpurina e confete dos altos dos prédios da Central do Brasil, só pra ver alguém mais feliz por hoje.
Eu podia parar no boteco da esquina, desamarrar as sandália, sentir o sujo do chão pelos meus pés, rir para o bebum, sem os dentes da frente, e sentir que posso ser como ele.
Eu podia pegar um avião, um ônibus um trem, ir atras e quem me deixou, contar meia dúzia de besteiras, comer e dormir como se não houvesse mundo do lado de fora da janela de ferro.
Podia e posso muita coisa, fala-se muita coisa, fala-se muito de liberdade, mas eu consigo ver as amarras grotescas e dolorosas que aprisionam as pessoas. Amarras na mente, nos pés, nas mãos e no lado que bate uma escola de samba.

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