Estava fazendo falta, tanta falta que nem eu sabia o tamanho da dor que eu estava acorrentando aqui dentro. Então eu resolvi que iria a missa. Quando pisei na estrada parecia que era a primeira vez em que ia ter um encontro com Ele. Entrei na igreja e percebi que estava sentindo falta daquele ar peculiar de me sentir em casa, de sorrir para aqueles velhos sorrisos, de dar boa noite e receber tapinhas nos ombros.
Foi quando olhei para cruz, e Jesus lá de cima parecia me reprovar mudo pelas minhas atitudes, e eu o encarava aqui de baixo e dizia: machuquei o meu melhor amigo e não tive tempo pra ele. Senti pena por isso, e meus olhos fixos naquela imagem chegaram a lacrimejar e de repente eu senti que Cristo desceu na cruz e me abraçou, e eu ali, fraquinha fraquinha, cansada de procurar ajuda e entendendo que só Ele mesmo podia me salvar.
E Ele continuava ali, cabeça tombada pro lado, os olhos fechados, o corpo chagado e me dizendo: abre o coração, Victoria, é pra mim que você tem que correr. E eu abri, contemplando a grandeza de ver que alguém me ama como nenhum outro, e sentindo ainda que por algum tempo eu estive longe daquilo.
E Ele continuava me olhando de lá, então meu corpo se curvou como se fora a primeira vez que eu recordava a última ceia, e como se fora a vez mais importante eu senti que Deus se derramava lá em cima pra que me sentisse bem, e eu que havia entrado com o mundo nas costas pude então de pouquinho a pouquinho livrar-me das amarras. E Ele me falava assim: deixa eu te curar, Victoria.
E então eu O recebi, e fiz-me de sacrário mais uma vez, mas como se fora a primeira, e ele perdoava-me e corria também pra curar o problema maior que eu havia contado a Ele. Foi quando o sacerdote tomou a palavra e disse, numa revelação pelo Espírito, tal como acontecera em outra ocasião que Deus estava curando o meu problema, e sentada no primeiro banco da igreja, em meio as lágrimas que caiam, eu olhei pra Ele mais um vez -cabeça tombada pro lado, os olhos fechados e o corpo chagado- e disse: Rei dos reis e meu, se Tu não me curasse, eu sei, nenhum outro curar-me-ia.

A experiência com Ele é sempre única para cada um de nós, mas você conseguiu transpor em palavras parte da seu conforto, o que emocionou e me lembrou de como é libertador estar com Ele.
ResponderExcluirps: o blog está muito legal.
Bj!!!