terça-feira, 21 de setembro de 2010

Destinam-se ao céu as lágrimas que hoje choro.

     Se um dia chegastes a me falar de tristeza, desculpa-me a falta de experiência com que tratei o assunto, de fato nunca dantes tinha me assolado o miocárdio dor tão profunda quanto essa que te devoto.
     Certas vezes me pergunto se é mesmo verdade que partistes da Terra sem que antes pudesse me abraçar no adeus. Mas me surpreendo ao lembrar que você soube a cada dia se despedir de mim.
     Se um dia te pude causar uma mísera faixa de dor no coração, perdoa-me. No fundo eu só queria o bem do nosso bem e te confesso que por muitas fui egoísta e de nada adiantou.
     Se um dia te pude fazer sorrir, guarda contigo, onde estiver esse nosso sorriso. Porque eu jamais vou me esquecer como é sorrir ao teu lado.
     Se um dia te pude fazer sentir saudades, guarde-a em teu peito e espere-me onde estiver, juntas mataremos a dor de viver uma vida inteira do outro lado do mundo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amizade além da vida.

Eu não sei o que acontece conosco, sentimos uma necessidade exorbitante de estar perto de quem amamos. É pertinente ao ser humano amar, é do ser humano encontrar pessoas para caminhar lado a lado... Muito se diz sobre as alianças que por vezes criamos na vida, mas nenhuma palavra no mundo, nenhum verbo, adjetivo, nenhuma locução verbal, adverbial, nenhuma oração, nenhum texto conseguirá descrever os sentimentos mais profundos que destinamos ao outro. Diria eu, que amar por interesse é muito fácil, e enganam-se aqueles que procuram amizades para simplesmente sentirem-se bem, amizade está longe de ser isso (e se quer saber são RARAS as pessoas que podemos chamar de amigos) por que de fato, amar pra se completar, amar pra ser amado, amar por que te amam não é e nunca será amor de verdade, nem no significado mais simples de amor. Amar, criar laços, amizade é acima de tudo, amar por amar, sentir-se bem quando o outro se faz feliz, é não ser egoísta, e entregar todo o amor que tem, sem saber se voltará alguma coisa... Eu não sei o que acontece comigo, mas sinto uma necessidade exorbitante de estar perto de Marina. É pertinente a mim amá-la, é do meu ser caminhar junto por onde seus pés quiserem ir. E da aliança que criamos não posso dizer nem tentar descrever, pois o que sinto é infinitamente grande e não se entende. Porque o amor é amor por si só, não precisa de quantificação ou entendimento. Diria eu então que se há alguém a quem posso chamar de amiga, esse alguém tem nome que veio do mar, esse alguém tem alma que veio de Deus, esse alguém tem sorriso que veio dos anjos, esse alguém atende por Marina Montesano.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Que será?

Que será meu Deus, que tu queres que eu prove?
Que será meu Deus, que tu queres para mim?
Quantos erros, meu Deus, quanta falha... quanta dor, quanta lacuna.
Que será meu Deu que queres que eu aprenda com essa saudade?
Que querias Tu senhor quando a levou de mim?
Quanta vida, Senhor, quanta falta...
Quanta lembrança meu Deus, quanta lágrima...
Quanta coisa, quanto pouco tempo.
Quanta ausência, quanto sentimento...
Quanta alegria era, quanta tristeza ficou... Quanta dor.
Que será meu Deus, que será que tenho que fazer?
Que será meu Deus, que será que devo encontrar?
Quanta vontade, Deus meu, quanta vontade de abraçar...
Quanta saudade de ouvir, meu Deus, uma vez, só mais uma vez, aquele 'Eu te amo'
Que Dor meu Deus, que dor.
Que presença nessa ausência, que ausência nessa presença...
Que loucura, meu Pai...Que dor.
Ascendeu, subiu, balão de gás.
Se foi, partiu, pra nunca mais...
Que dor, meu Pai.
Que onda de medo que me passa, quanta saudade.
Branco, paz, assas a mais.
Morreu, dormiu, está em paz.
Que tristeza, que felicidade.
Que onda de calma que me bate, quanta certeza de que está Contigo.
Entendi meu Pai, perdão por duvidar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Uma segunda pra começar e terminar.



Devia ser uma segunda feira do mês de março, era o primeiro dia de aula do Colégio Pedro II – unidade Realengo, abri a parta de uma sala qualquer, sentei-me e antes de sentar-me vi que alguém sorria com tanta felicidade que me chamou atenção.
                Não que aquela pessoa estivesse realmente feliz, não acredito que estivesse mesmo, mas aquela pessoa conseguia sorrir mesmo com a maior das dores no peito. Acontece que essa pessoa tinha repetido de ano e faria o segundo ano do ensino médio mais uma vez... É de se chorar, mas ela preferiu sorrir.
                Visivelmente se afastava de nós, sorrateiramente nos cercava. Mal sabíamos do futuro. Ela sorriu de novo, perguntou a minha amiga se ela era irmã de um carinha, para ela (e talvez não só para ela) o mais bonito da turma que se formara. Ouviu a resposta. Sorriu. Abraçou. Sorriu. Gargalhou. Se afastou. Foi embora, mas voltou e ficou, em mim, em nós.
                E nos conhecemos e agora ela era Juliana e eu Victoria, e agora nos falávamos, mas – preciso confessar – não nos tornamos amigas no ato. O fato foi que o tempo nos aproximou, dou como tempo um ou dois meses no máximo e já não éramos mais Juliana e Victoria, éramos Baranga e Vic e assim fomos nos tornando próximas.
                Até que um dia brigamos, feio. E nos ofendemos e não nos falamos, e podem dizer dessa briga o que quiserem... e posso dizer dessa briga o que for, não vale a pena... Não ganhei nenhum troféu com essa briga (a mais feia que já tive com alguém), mas ganhei MUITA coisa com a reconciliação (a mais linda que já tive também).
                Lembro-me de não querer dar o braço a torcer, lembro-me de ter brigado por uma coisa boba, lembro-me de ter chorado, lembro-me de ter sentido medo de perde-la, lembro-me de ter rezado, e rezado, e rezado... Até que um dia Baranga me pediu desculpas, e lembro-me de ter chorado e de ter dito que nunca deixaria de ama-la, lembro-me ter prometido a mim mesma não brigar por coisas bobas... não me lembro de outra briga importante, lembro-me de picuinhas bobas.
                De quando em quando brigávamos, nos entendíamos. De cinco em cinco minutos ela dizia: Vic, te amo. Não lembro-me de compreender porque desses ‘eu te amo’ sem razão, lembro-me inclusive de questionar-me sobre as falas... mas quem entenderia Juliana.
                Sorrimos. Choramos. E nada que vivemos em um ano e meio foi em vão.
                Segredos. Mentiras. Verdades. Brincadeiras.
                De desconhecida à Juliana, de Juliana a Baranga, de Baranga a Migs. Era assim que Juliana me chamava, não só a mim a todos. Doce. Pura. Carinhosa. Juliana.
                Que saudade de Juliana, que saudade do que eu era quando Juliana era presença.
                Das festas que tivemos, das viagens que fizemos só lembranças boas, só sorrisos, gargalhadas, só meus olhos podem dizer que falta fazem.
                Era uma segunda feira, uma segunda feira comum, até a hora em que Juliana tirou uma foto - com a turma que um dia fora separada – e me chamou pra conversar. ‘Agora cara? Preciso comer, preciso falar com não sei quem, preciso, preciso...’ ; ‘Agora Vic, tem de ser agora, hoje, vamos.’
E fui, e Juliana começou a falar como louca, coisas das quais eu não entendia, me pedia desculpas por erros passados, perdão pelas brigas, me pedia perdão por estar com um menino que eu já estive, por ter me magoado... eu perdoei, sem entender. Juliana abaixou a cabeça, eu vi a lágrima molhar sua perna, eu a vi levantar a cabeça e dizer : Eu te amo Vic.
Fui embora, sem saber, sem entender, Juliana estaria maluca? Talvez. No outro dia não vi Juliana, senti falta, perguntei: faltara. O dia passou, fui pra casa. Cheguei, comi, tomei banho, dormi, tudo normal. Mas amanheceu a quarta feira e por volta de oito horas meu telefone tocou. ‘Juliana faleceu’. Como? Porque? Quando? Mentira. Não Juliana.
O dia mais triste da minha vida, não sabia levantar, não sabia andar, não sabia pensar, só sabia chorar e lembrar, e chorar, e lembrar. E foi triste e não me curei... Eu não mais a tenho, eu não mais a abraço, mais eu ainda posso ouvir Juliana dizer-me “Vic, eu te amo”. Por que Juliana desenhou esta frase na minha mente e no meu coração.