Me ocorreu agora, que já estamos no momento do 'não sei pra onde vou', que as coisas só se encaixavam quando você estava aqui. É engraçado isso, porque eu sempre imaginei que você desconsertava tudo, e só o fazia por pura implicância com a minha vida regrada e extremamente certinha. Mas hoje de manhã, quando acordei, percebi que na verdade, quem fazia com que as coisas ficassem regradinhas era você, com aquele seu ar de 'eu vou estragar os seus planos se você planejar até a hora e o minuto que eu devo te ligar'. Era você quem mantinha, na minha mente, aquela regra de que eu tinha que planejar pra ser surpreendida com as suas ondas de rebeldia, de quem só vai fazer aquilo que quer na hora que quer.
Então me ocorreu, a conclusão derradeira da história: Minha partitura de tempos exatos, só fica completamente certa com suas pausas repentinas, que vez ou outra trocam uma semibreve por uma pausa fusa, e lá vou eu feito louca esvairada tentar colocar mais notas pra fazer com que o compasso fique completo e que no final da sinfonia ninguém perceba a defasagem que você fez. Hoje eu vejo como eu gosto dessa coisa de ter que arrumar os compassos em tempo ímpar pra dar tudo certo. Hoje eu vejo, sobretudo, que nossa vida é regida por essa composição revolucionária, vejo que sem suas mudanças na partitura não há música nenhuma.
Então me ocorreu também, que é gostoso ficar brincando assim, é isso que faz manter viva a melodia que a gente gosta de ouvir e de dançar. E nesse tempo do 'não sei pra onde eu vou agora', as coisas estão calmas demais, e extremamente regradas, estaticamente divididas em compassos iguais, com notas que se repetem a todo momento. Foi quando eu percebi, que pra salvar a minha orquestra, só umas pausas ou notas de grande duração suas fariam algum efeito agora.
