quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Éramos nós cinco naquele instante

     Hoje eu saí pra ver o mar, e só ve-lo de longe me bastava, a paz do mar quebrando sem que ninguém o ordenasse já me completava o peito. Mas eu fui chegando perto, pra ver se a imensidão do mar me engolia de mim mesmo, me levava até mais pra dentro de mim. Foi lindo me encontrar com meus próprios sentidos, foi mágico. O mar me molhava o corpo, a areia tentava ser parte dele se grudando em mim como súplica de quem não quer nos deixar ir embora, e o mar ia me levando pra dentro dele, muito forte que quase caí. Mas aí tive medo e recuei. Sentei-me na areia seca. Deite-me de barriga para o ar e vi o céu. O céu com sua calma me engolia tanto quanto o mar, nenhuma nuvem cobria minha cabeça, nada me separava do azul celeste, eramos só eu e o céu, numa ligação extremamente intima e direta. Fechei os olhos, o sol me alfinetava as vistas, então tentei encara-lo. Sem exito. Em menos de um segundo eu tornei a fechar os olhos. O sol, tal como a areia molhada, quis fazer parte de mim, cravando em meu corpo a cor que ele bem entendesse deixar, não ligo, eu gosto do bronzeado que ele me dá. Éramos nos cinco naquele instante, o mar quebrante, a areia suplicante, o céu calmo, o sol ardente e eu. Bastou que nós cinco nos encontrássemos para que eu me sentisse inteira novamente, porque a natureza cura e completa os buraquinhos que amor nos deixa.