quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

No breu da noite longa.


     A noite se fez sombra e deitou seus cabelos macios sobre os telhados que protegem minha cabeça. A noite se fez feitiço para me atrair ao janelão de vidro do meu quarto e me fazer olhar as estrelas que há muitos eu já tinha esquecido que brilhavam. Essa noite sinto que meu coração pula mais lento, aqui dentro, parece repousar. Será que descansa ao ver na noite o rosto dele brilhar?!
     Essa noite o vento que voa lá fora não me pega, a escuridão é longa, mas sempre há um ponto que o negro não prevalecerá, é lá que descansa meus olhos sofridos, loucamente embebidos do teu caminhar.
     Não sei se vou bem ou se mal acabada estou por pensar em amores passados que não deram certo e tentar justo nesta noite, fazer teorias para explicar o que houve de errado. Esta noite nada parece errado.
     Um, dois, três eu conto as vezes que meus olhos escorreram sofrimento. Mas nesta noite eu prefiro que escorram alegria.
     Lá fora, no chão do meu quintal de terra, não vejo nada, apenas algumas folhas caidas, eu me irrito por saber que mesmo não vendo existe um mundo que eu não sou capaz de enxergar, vivendo ali no chão do meu quintal parado.
     Eu olho de novo, e outra vez eu vejo uma luz que vai parar na casa da frente, o que será que esta noite ofereceu aqueles que moram do outro lado da rua?
     Eu me levanto, ponho os pés no chão, cabeça no vidro, mãos a minha frente, eu queria pegar essa noite, mas acho que ela quem está me pegando... Droga, eu não consigo ver estrelas de onde estou...
     Eu acho que é porque, é justamente nesta noite, que estou aprendendo a ver as estrelas dentro de mim.